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Óbidos Património do Mundo
Muralhas de Óbidos
      A ideia de candidatar Óbidos a Património Mundial, classificado como Monumento Nacional em 1951, é já uma ideia antiga do Município. Foi contudo sempre equacionada em termos de classificação do Centro Histórico de Óbidos, perspectiva lógica, tendo em conta que foi esse o espírito da maioria das candidaturas geralmente apresentadas à UNESCO e que melhor respondiam, então, à vontade de valorizar a sua terra.

      De facto, dentro desta perspectiva pensamos que o Centro Histórico de Óbidos, como conjunto construído, tem um valor universal excepcional do ponto de vista da história e da arte, devido à sua arquitectura, homogeneidade e integração na paisagem, além de que é relativamente bem conhecido, existem inventários patrimoniais, os seus monumentos estão estudados, tem um conjunto de infra-estruturas culturais e sociais que permitem dinamizá-lo e apresenta boas condições de gestão.

      Mas onde reside verdadeiramente o seu carácter excepcional que lhe confere um valor universal?

      Local de encruzilhada de diversos povos e culturas – Celtas, Romanos, Visigodos, Árabes, Judeus – foi mais tarde, após a Reconquista Cristã, capital de um vasto território, cuja influência e jurisdição se estendiam sobre uma grande parte da zona Oeste do território português. Terra de Rainhas e capital religiosa entre Leiria e Lisboa, essa sua importância administrativa, eclesiástica e económica permitiu desenvolver um notável centro artístico, de que é exemplo a célebre escola de pintura de Óbidos, marcada pelo génio de Baltazar Gomes Figueira e sua filha Josefa de Ayala, mas também um grande centro musical, pelo menos desde o século XVI, de que dão prova o famoso “Livro de Óbidos” e o preciosíssimo arquivo musical das suas cinco colegiadas, ambiente propício à formação musical de um compositor da craveira de José Joaquim dos Santos, na segunda metade de setecentos.

      Este verdadeiro intercâmbio cultural marcou indelevelmente a paisagem, a morfologia urbana, a arquitectura e as artes monumentais, no fundo, o seu desenvolvimento artístico em geral (critério II do ponto 24 das Orientações para a aplicação da Convenção do Património Mundial), herança patrimonial que permaneceu intacta graças a uma evolução pacífica ao longo dos séculos, sendo hoje um exemplo marcante de uma vila fortificada europeia, excepcional pela harmonia, coerência e qualidade formal do espaço urbano, onde confluem modelos Árabes, Medievais, Renascentistas e Barrocos, com um conjunto excepcional de imóveis ilustrando vários estilos arquitectónicos e artísticos (critério IV), dos quais sete estão classificados só na zona intra-muros, realidade moldada também pelo fenómeno turístico, que ajudou a definir a imagem da Vila, de tal forma que não pode, nem deve, ser hoje já compreendida sem ele.

      Em Óbidos podemos encontrar, provavelmente como em nenhum outro lugar em Portugal, os elementos constitutivos de um espaço urbano atlântico-mediterrânico ao longo dos séculos, em formas que foram muitas vezes reproduzidas além-mar:

    - A estrutura militar defensiva com o castelo e a sua cintura muralhada medieval, de características únicas, com as suas portas/oratório de excepcional decoração barroca;
    - A praça, de concepção renascentista, privilegiando a perspectiva;
    - O pelourinho;
    - O telheiro quinhentista do mercado;
    - O aqueduto e os chafarizes dentro e fora das muralhas;
    - O rico património religioso: igrejas, capelas, passos de procissão, ermidas, oratórios públicos e cruzeiros;
    - As casas nobres, burguesas e fidalgas, ao longo dos espaços principais, e as casas populares de arquitectura vernacular, que oferecem um extraordinário enquadramento aos monumentos da Vila e reflectem os parâmetros sociais e económicos que conferiram a Óbidos o seu carácter excepcional.


      Coloca-se imediatamente a questão da sua singularidade. Não tendo paralelo com qualquer povoado do litoral, apenas no interior do país poderemos encontrar núcleos totalmente muralhados com um certo paralelismo, como Monsaraz, Marvão, Castelo Rodrigo ou Sortelha, mas todos de menor dimensão, além de que não nos podemos esquecer, e este é um aspecto fundamental, que Óbidos é animado por vida própria, com cerca de 250 residentes só na zona intra-muros (Censo de 2001), facto que contraria por si a divulgada ideia de “Vila Museu”, enquanto outros núcleos de características semelhantes encontram-se hoje completamente despovoados. Mesmo a nível internacional, podemos dizer, sem receio, que Óbidos está perfeitamente ao nível de outros centros históricos classificados como Património Mundial pela UNESCO, como algumas cidades do país vizinho.